O grupo Situacionista, que surgiu em oposição ao Movimento Moderno e àquilo que essa vanguarda chamava “sociedade do espetáculo”, viu na vivência e na mudança de valores uma solução para transformar a cidade.
Através de meio de ação na área da cultura e dos costumes, os situacionistas pretendiam dar fim à estagnação e à confusão criada pela classe dominante. O grupo ver a cultura como a base que rege a sociedade, e esta submissa aos rótulos criados pela classe dominadora, que usa a imagem para manter sua posição social.
A cultura é formada por várias partes que se relacionam. Os Situacionistas viam no conhecimento dessas partes e da relação entre elas o princípio da ação transformadora do ambiente.
As vanguardas que surgiram (futurismo, dadaísmo e surrealismo) incitaram reflexões, mas não possuíam uma base conceitual forte e se encerraram nas expressões plásticas. A confusão criada pelas várias vanguardas foi usada pelos burgueses para fixar a sua dominação sobre a cultura.
A sociedade do espetáculo prevê a não-participação do espectador. O herói é o agente, e os figurantes não interferem na história. Os situacionistas propunham a inclusão desses espectadores, não como heróis ou figurantes, mas como vivenciadores da ambiência.
A vivência Situacionista busca a atemporalidade e a multiplicação dos instantes e das emoções vivenciadas, diferente da arte que fixa a emoção no tempo através da representação plástica.
A interferência se dá nos cenários e no comportamento dos indivíduos. E esses indivíduos, por sua vez, também interferem nos cenários, que afetam os usuários através da vivência.
BERENSTEIN, Paola. Apologia da deriva - Escritos situacionistas sobre a cidade.
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