quinta-feira, 25 de março de 2010

Notas sobre os Situacionistas

O grupo Situacionista, que surgiu em oposição ao Movimento Moderno e àquilo que essa vanguarda chamava “sociedade do espetáculo”, viu na vivência e na mudança de valores uma solução para transformar a cidade.

Através de meio de ação na área da cultura e dos costumes, os situacionistas pretendiam dar fim à estagnação e à confusão criada pela classe dominante. O grupo ver a cultura como a base que rege a sociedade, e esta submissa aos rótulos criados pela classe dominadora, que usa a imagem para manter sua posição social.

A cultura é formada por várias partes que se relacionam. Os Situacionistas viam no conhecimento dessas partes e da relação entre elas o princípio da ação transformadora do ambiente.

As vanguardas que surgiram (futurismo, dadaísmo e surrealismo) incitaram reflexões, mas não possuíam uma base conceitual forte e se encerraram nas expressões plásticas. A confusão criada pelas várias vanguardas foi usada pelos burgueses para fixar a sua dominação sobre a cultura.

A sociedade do espetáculo prevê a não-participação do espectador. O herói é o agente, e os figurantes não interferem na história. Os situacionistas propunham a inclusão desses espectadores, não como heróis ou figurantes, mas como vivenciadores da ambiência.

A vivência Situacionista busca a atemporalidade e a multiplicação dos instantes e das emoções vivenciadas, diferente da arte que fixa a emoção no tempo através da representação plástica.

A interferência se dá nos cenários e no comportamento dos indivíduos. E esses indivíduos, por sua vez, também interferem nos cenários, que afetam os usuários através da vivência.

Para construir uma cidade através do “Urbanismo Unitário” é preciso conhecer o conjunto que compõe essa ambiência (arte, ecologia, sons, comida) e intervir através desses elementos. Procura-se conhecer os desejos iniciais do indivíduo e estabelecê-los. “Só o seu estabelecimento pode esclarecer os desejos primitivos e o aparecimento confuso de novos desejos cuja raiz será a nova realidade construída pelas construções situacionistas.” (IS no 1)


BERENSTEIN, Paola. Apologia da deriva - Escritos situacionistas sobre a cidade.