sexta-feira, 14 de agosto de 2009

construindo o projeto

Começando a refletir sobre uma vertente da problemática habitacional: Porque a maioria dos projetos de habitação popular não atende às necessidades dos moradores? ou talvez... Como produzir habitação popular em grande escala e agradar os diferentes usuários?
A construção de projetos padrão de grande porte é a produção mais recorrente dentro do setor habitacional no Brasil atualmente. Com o decorrer dos anos, esses projetos se descaracterizam pelas reformas feitas pelos moradores que transformam as unidades no intuito de atender as suas necessidades. Puxa-se uma varanda aqui, fecha outra ali, muda o guarda-corpo, demole um quarto..
Ontem em um seminário o arquiteto Demetre Anastassakis apresentou alguns de seus projetos onde ele busca combinar diversos programas no mesmo projeto, desconstruindo a caixa do edifício e posicionando esses bloquinhos de apartamentos de maneira a otimizar o conforto térmico. Passou um bom tempo na polêmica de pôr ou não elevador em habitação de 0 a 3 salários mínimos... mas terminou com um ponto interessante. Porque o arquiteto e urbanista que estuda no mínimo 5 anos para conhecer as necessidades espaciais da cidade e de cada ser individualmente, não é ouvido na hora de levantar as demandas habitacionais do mercado. Forcei um pouco no não ser ouvido, não sei bem quais são os profissionais que formam essa comissão de avaliação, mas não é do arquiteto a palavra final. Não é o arquiteto que fala que edifício de classe baixa não pode ter elevador nem que pobre precisa ter quintal pra criar galinha. Busca-se sempre a solução mais rápida. Infelizmente o caixotinho de 5 pavimentos 4 por andar veio primeiro e como ele já esta pronto repetimos infinitamente.
Mas o meu estudo não é sobre essa arquitetura. Edifício padrão não é projeto.
Dentro dos projetos de habitação popular qual é a resposta do usuário ao meio que o cerca? Projetos como o Pedregulho que seguiu as premissas de Le Corbusier para Marseille se degradaram por quê? O Pedregulho com diferentes apartamentos, creche, lavanderia e mil outros serviços... Alguns dos serviços nem existem mais, e visitar o lugar é muito difícil por causa da região que ele foi implantado.
E onde implantar esses edifícios? Na periferia já concluí que não faz sentido. Correr atrás de terra barata perde a lógica quando se calcula todos os investimentos de infra-estrutura necessária para possibilitar a ocupação do lugar. E acrescido a isso existem as diversas áreas vazias ou abandonadas dentro do tecido urbano onde a melhor opção de ocupação o uso habitacional.
Para entender melhor essa relação usuário-meio e conseguir aplicar isso dentro do projeto arquitetônico habitacional acredito que a melhor forma seja estudar um ramo da psicologia chamado Psicologia Ambiental que estuda o comportamento humano em relação ao ambiente que o cerca.

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